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terça-feira, 28 de junho de 2011

Wake me up when september ends - Parte 43

Ele não me vira. Estava a caminha em passos pequenos e rápidos de mãos nos bolsos. Não tirei os olhos de cima dele. Estava ligeiramente diferente. Deixara crescer o cabelo um bocado. Dantes era rapado e agora estava muito curto. Não lhe ficava mal, mas eu preferia o visual antigo. Os seus passos foram ficando mais lentos e o seu ar despreocupado de há segundos atrás foi substituído por surpresa e confusão. Foi assim que ficou quando me viu. Eu sorri. Estava contente por voltar a vê-lo. Ele fechou os olhos com força e abriu-os. Provavelmente para ter a certeza de que estava mesmo ali.
J: Ellen!
E: Jason!
E seguiu-se um momento constrangedor. Nenhum de nós sabia bem o que fazer até eu me aproximar dele um bocado e abrir os braços ligeiramente para um abraço. Ele correspondeu imediatamente ao meu sinal. Como se tivesse esperado durante um ano inteiro para o fazer, apenas esperava pelo meu sinal. Ficámos abraçados durante um bom bocado. Nem eu nem ele queríamos parar. Acabámos, eventualmente, por nos separar. Ele tentou fazer conversa de circunstância para evitar falar das razões que me levaram a mudar de cidade.
J: Como foram as coisas em Ohio?
Eu não me importava com a conversa de circunstância. Também não queria falar sobre o passado.
E: Prefiro Chicago, mas foi uma boa experiência.
J: Estás mesmo de volta? Para ficar?
E: Sim, estou. O meu contracto acabou, por isso estou de volta.
J: Fantástico! Vamos voltar a ser vizinhos.
E: Sim, claro.
J: Para Para dizer a verdade não gosto muito dos meus novos vizinhos que estão a viver no teu apartamento.  
Eu ri-me um bocado. Aquilo foi estranho. De repente éramos grandes amigos apenas. Nada tinha acontecido. Jason não me tinha dito o que realmente sentia por mim, eu também não lhe tinha dito que sentia o mesmo. Foi muito estranho e muito mais calmo do que o que eu estava à espera. Em seguida ouvi a porta do carro a bater. Olhei para trás. Mark estava a sair do meu carro e dirigiu-se a mim. Pôs o seu braço à volta dos meus ombros para marcar território e apresentou-se:
Sou o Mark. O namorado da Ellen.
 E estendeu a mão a Jason. Este não sabia o que fazer. Olhou fixamente para a mão de Mark e depois olhou de relance para mim. Eu estava coberta de culpa.

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NÃO CONSIGO ENCONTRAR UMA IMAGEM!

domingo, 12 de junho de 2011

Wake me up when september ends - Parte 42

Naquela noite não dormi. Era a noite antes de voltar para Chicago, para o mesmo apartamento, com Mark. Como iria eu enfrentar Jason? Como iria eu contar-lhe que Mark era o meu namorado depois de ter fugido porque não queria estar numa relação? Como é que eu lhe poderia dizer isso sem fazer com que ele me odiasse? Como? Por muito que quisesse pensar noutra coisa ou mesmo não pensar em nada, não consegui. Passei a noite em branco. Esta passou depressa. O despertador tocou e apenas tive alguns segundos, antes que Mark acordasse, para me recompor. Ele beijou-me a parte de trás do pescoço depois de desligar o despertador.
M: Bom dia.
Limpei rapidamente as lágrimas e pus-me de cara a cara com ele na cama e sorri-lhe.
E: Bom dia.
No entanto, uma noite em branco com lágrimas pelo meio não se apagava em segundos. Mark percebera que algo de errado se passava comigo. Ele perguntou-me num tom preocupado:
Que se passa? Parece que estiveste a chorar.
Eu menti:
Estou bem. Entrou-me qualquer coisa no olho.
M: Está bem. É melhor levantarmo-nos. Temos um grande dia pela frente.
Levantámo-nos, arranjámo-nos e despedimo-nos daquele apartamento. Apesar de ter sido meu só por um ano, deixei-o com alguma saudade. Se calhar não era saudade. Talvez fosse por não querer sair da pausa que tinha estado a viver no último ano. Seguimos viagem. Não consegui falar muito durante o caminho, o nó que se formou na minha garganta não o permitia. Esse nó crescia à medida que o tempo passava. Parecia uma espécie de tumor a espalhar-se por todo o meu corpo. Um tumor inoperável que começava a afectar todos os órgãos do meu corpo. Mas esse tumor só existia na minha cabeça. Não me podia matar antes de ter a oportunidade de encontrar Jason no elevador do prédio, como eu desejara.
Chegámos a Chicago e minutos depois, Mark estacionou o meu carro à porta do meu prédio. O carro de Jason também lá estava estacionado, no sítio do costume, o que significava que ele estaria em casa e as possibilidades de o encontrar no elevador ou no corredor eram poucas. Eu saí primeiro do carro e olhei em volta. Estava tudo igual, quase tudo. Disse a Mark para esperar um bocado dentro do carro, que já iria ter com ele. Olhei para o fundo da rua e lá estava a única coisa que não se encontrava naquele lugar quando eu partira. Jason a caminhar na minha direcção.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Wake me up when september ends - Parte 41

Entrei no meu apartamento e disse “Cheguei!”. Tirei a chave da fechadura com alguma dificuldade, como acontecia sempre, e fechei a porta. Obtive uma resposta vinda da cozinha:
Estou a fazer o jantar!
Descalcei-me e sentei-me no sofá cansada. Segundos depois Mark apareceu na sala de avental com um pano de cozinha ao ombro e dois copos de vinho em ambas as mãos. Deu-me um dos copos e eu bebi dois goles e pousei o copo na mesinha de café. Mark tinha ficado aquele tempo todo a olhar para mim enquanto sorria sem beber uma única gota do seu vinho. M (Mark): Como foi o teu dia?
E: Cansativo. Tive que acabar umas coisas antes de voltarmos para Chicago.
M: Conseguiste acabar tudo?
E: Sim, só tenho que passar lá amanhã para ir buscar algumas coisas que deixei lá. Já fizeste as tuas malas?
M: Sim. Está tudo pronto para nós irmos. O casal que estava a viver no teu apartamento em Chicago foi se embora ontem e o rapaz que vem para aqui viver chega na próxima semana. Só há algumas coisas que não tenho bem a certeza do que queres fazer com elas.
E: Obrigada por me ajudares com tudo isto.
E mostrei-lhe um pequeno sorriso em sinal de agradecimento por toda a ajuda que me estava a dar. Mark era um grande amigo de Ashton do exército, o mesmo que me deu aquela carta depois de Ashton morrer.
M: De nada.
Ele também me sorriu e parámos um bocado no tempo só para sorrir um para outro até um bip repetido e um bocado irritante se ouvir. Este vinha da cozinha. Mark levantou-se e estendeu-me a sua mão.
M: Parece que o jantar está pronto. 
 Peguei na mão dele, levantei-me com a sua ajuda e beijei-o delicada e rapidamente antes de nos dirigirmos juntos para a cozinha.

domingo, 5 de junho de 2011

Wake me up when september ends - Parte 40

Num pequeno gesto convidei-o a entrar e fechei a porta. As lágrimas já me escorriam pela cara, ainda antes de me virar para ele. Limpei a cara e pus-me de frente para ele. Levei as minhas mãos à cara e comecei a chorar outra vez. Preocupado, Jason preparou-se para me abraçar. Eu detive-o quando os seus braços já quase tocavam os meus. Ele afastou-se.
E: Há um mês atrás recebi uma proposta de trabalho. Ontem aceitei-a. É em Ohio.
Jason interviu logo:
O quê? Ohio? Não podes conduzir cerca de 4 horas para Ohio todos os dias.
E: Exactamente. É por isso que vou viver lá por um ano.
J: Isto não é por causa do que aconteceu, pois não? Não pode ser!
E: Lamento, Jason.
Apesar de tudo, naquele momento consegui chegar-me perto dele. Sentia-me mal por deixá-lo daquela maneira. Coloquei as minhas mãos em cada um dos lados da sua cara e juntei as nossas testas. Nem consegui olhá-lo nos olhos. Senti ambas as mãos dele segurarem-me os pulsos, afastando-me de si.
J: Adeus, Ellen.
E saiu porta fora. Depois daquilo nunca mais o vi. Não o vi na semana que se seguiu. Saía muito mais cedo de casa e só chegava depois da meia-noite. Eu costumava ficar atrás da porta para ter a certeza de que ele tinha chegado a casa a salvo. Houve até uma noite em que tinha trazido uma mulher com ele. Pareciam os dois bêbedos pela forma como riam sem dizerem nada. Nessa noite chorei muito antes de dormir. Não estava a chorar por achar que estava, de certa forma, a trair-me, mas sim por eu saber que ele não era o tipo de pessoa que fazia daquelas coisas e, por minha causa, estava a fazê-lo. Por minha causa ele andava a dormir com mulheres que mal conhecia para me esquecer. Numa noite ele nem sequer veio dormir a casa e eu acabei por adormecer encostada à porta. Acordei quando ele finalmente chegou às 6h30 da manhã e pouco depois saiu de casa. Apesar de o ter ouvido a sair e a chegar a casa todos os dias não o vi. Não fui capaz de abrir a porta em nenhuma dessas vezes e dizer-lhe que ia sentir a falta dele.
No fim dessa semana parti para Ohio. Pus as malas no meu carro e segui viagem. Estava a conduzir há 10 minutos quando o meu telemóvel tocou. Era Jason e não atendi. Deixei tocar enquanto as lágrimas me escorriam pela cara. Deixou-me uma mensagem no voice mail. Só quando me instalei em Ohio é que a ouvi.
Não acredito que partiste sem te despedires.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Wake me up when september ends - Parte 39

O meu mundo parou quando disse aquilo em voz alta. O mundo dele também paralisou, nós parámos. Eu estava um bocado ofegante pela maneira como quase tinha gritado aquelas palavras. Eu olhei para baixo enquanto me tentava recompor. Limpei as lágrimas, inspirei e expirei fundo uma vez e olhei-o.
E: Não posso estar contigo sabendo que também me queres. É demasiado para mim.
Ele estava sem palavras. A única coisa que foi capaz de dizer foi o meu nome. A maneira como o disse fez-me querer cair nos seus braços e dizer-lhe que queria ficar com ele. Mas uma força mais poderosa do que eu impedia-me. Parecia sentir os braços de Ashton à minha volta a apertarem-me com força enquanto este me sussurrava ao ouvido “não vás, eu amo-te.” Por muito morto que estivesse, Ashton era o mais vivo dentro daquela sala. Jason fez um pequeno movimento na minha direcção e um dos braços de Ashton pegou no meu apontando para Jason em sinal para se afastar. Ele afastou-se lentamente.
J: Estás muito preturbada agora. Talvez devêssemos falar disto noutra altura.
E saiu e os braços fortes do fantasma de Ashton largaram-me. Naquele momento não sabia o que sentir. Tinha sido eu injusta para com Jason? Fosse qual fosse a resposta, eu optei por pensar que estava a fazer a coisa certa. A memória de Ashton ainda estava muito presente.
Cheguei a casa naquele dia exausta. Tirei o meu casaco, pousei a minha mala e deixei-me cair no sofá. Sabia que Jason ia acabar por aparecer mais cedo ou mais tarde, o que me deixava ainda mais exausta. Não estava nada preparada para lhe dizer que tinha aceitado a proposta de trabalho que me tinha sido oferecida. Eu ia trabalhar para Ohio. Isso ficava a 3 a 4 horas de Chicago. O meu patrão tinha-me falado nisso há um mês, mas eu recusara. Não queria ir para uma nova cidade onde não conhecia ninguém., mas muita coisa tinha mudado da noite para o dia. Naquele momento eu queria estar sozinha. A campainha tocou. Eu já sabia quem era. Levantei-me e abri a porta. Dissemos ambos ao mesmo tempo “Precisamos de falar.”. De mãos nos bolsos ele insistiu que eu falasse primeiro e eu concordei antes que ele dissesse algo que me fizesse mudar de ideias sobre a minha proposta de trabalho.


segunda-feira, 30 de maio de 2011

Wake me up when september ends - Parte 38

Acordei no dia a seguir um pouco perturbada. Tinha tido um sonho esquisito. Eu e Jason éramos confundidos com um casal por uma empregada de mesa, discutimos e ele acabou por me dizer que queria de mim mais do que amizade. Pelos menos, era isso que eu queria acreditar, que tinha sido um sonho, mas não. Olhei para o telemóvel para confirmar a data. Era o dia depois de Jason voltar da viajem por causa do seu emprego. Tinha mesmo acontecido, tudo. Levantei-me e arranjei-me para o emprego e esperei por de trás da porta que ele saísse de casa para eu não correr o risco de sair ao mesmo tempo que ele. Já estava atrasada para o trabalho quase meia hora e Jason ainda não tinha saído de casa. Escorreguei pela porta abaixo e olhei para o relógio mandando bafo para o ar. Esperei até estar atrasada 40 minutos para o trabalho para sair de casa. Se Jason ainda não tinha saído de casa, então não iria sair naquele preciso momento. Peguei nas minhas coisas e abri a porta para sair de casa. Naquele preciso momento a porta de Jason abriu-se o que me fez acreditar que estivera a fazer o mesmo que eu o tempo todo. Virei costas imediatamente para voltar a entrar em casa, mas ele foi mais rápido e ágil do que eu e entrou em minha casa comigo, fechando a porta atrás dele. Levei as minhas mãos à cabeça em frustração, sem saber o que fazer.
J: Ellen, temos que falar.
Evitei contacto visual ao máximo e falei-lhe no tom mais frio que consegui fazer:
Não, não temos. Na noite passada tu disseste-me que querias que fôssemos mais do que amigos. Ultrapassaste todos os limites quando o disseste. Desde que nos conhecemos que uma coisas destas acontecer é o meu maior receio e agora está a acontecer. Temos que para de nos ver. Não podemos ser mais do que amigos.
Eu estava cada fez mais inquieta andar de um lado para o outro enquanto falava em passos rápidos e pequenos. Eu vi na cara de Jason preocupação e alguma raiva quando disse que não nos podíamos ver.
J: Não, não, não, não! Só porque não sentes o mesmo por mim isso não significa que temos de para de nos ver. Nós podemos continuar amigos. Ser amigos não significa que tens de estar apaixonada por mim.  
Eu comecei a chorar assim que ele começou a falar. Os meus passos tornaram-se cada vez mais lentos até parar num só sítio e olhar-lhe com os meus olhos molhados.
E: Mas eu estou! Eu sinto o mesmo por ti!

sábado, 28 de maio de 2011

Wake me up when september ends - Parte 37

A luz de um dos candeeiros de rua incidia no lado direito da cara de Jason. Este parecia preocupado e confuso sobre o que tinha acabado de acontecer.
J: Vais me contar o que aconteceu?
Olhei para baixo para as minhas mãos. Uma delas estava estendida e outra brincava com a aliança. Ele logo reparou para onde estava a olhar e consequentemente, a razão pela qual eu estar tão transtornada. Vi que ele também olhou para a aliança dele.
J: Podemos falar sobre isto? 
Fui rápida e sem hesitações a responder:
Não, quero ir para casa.
 Jason foi até ao lado do condutor e entrou no carro. Ele estava aborrecido pelo que se tinha passado, estava estampado por toda a sua cara. A culpa por deixá-lo daquela maneira juntou-se ao nó na garganta que se formara quando a empregada de mesa pensou que éramos um casal. Entrei no carro e Jason arrancou logo. Durante o caminho não dissemos uma única palavra. Quando chegámos ao prédio apenas lhe perguntara se queria ajuda com as malas e ele respondera de maneira ríspida e fria, levando as malas com ele para o seu apartamento. Toquei-lhe no braço com o objectivo de o fazer virar-se para mim. Ele pousou as malas no chão com força.
J: Agora já queres falar?
E: Sim.
Ele suspirou e convidou-me a entrar no apartamento dele com um simples gesto. Achei por bem dar início à conversa:
Jason, quando a empregada nos confundiu com um casal lembrei-me de Ashton. Não tenho pensado nele. Senti-me culpada por isso. Para mim, ele continua a ser o meu marido, o homem que eu amo.  Depois também notei que ainda usavas a tua aliança e... Entrei em pânico.
J: Foi assim tão mau não pensar nele?
Hesitei, mas respondi timidamente:
Não... Foi bom divertir-me por um bocado.
J: Tu sofreste uma grande perda, mas já se passou quase um ano... Será que não podes dar uma oportunidade às pessoas de te fazerem um bocado mais feliz?
Pus-me imediatamente à defesa. Aquilo que ele dissera magoara-me um bocado.
E: Estás a sugerir que eu devia esquecer Ashton? Fingir que ele não existiu?
J: Não, Eu estou a tentar dizer-te que quero fazer.te feliz. Quero amar-te... Da mesma maneira que Ashton te amou.
Jason tinha largado a bomba entre nós. Eu já tinha considerado tal coisa, mas é diferente quando temos a confirmação. Ficamos surpreendidos na mesma, ainda que tentamos convencermo-nos do contrário. Fiquei em estado de choque a olhar para ele.
E: Jason…
E ficamos mais um período de tempo a olhar um para outro. Eu depois fechei os olhos com força e voltei a abri-los. Comecei a ficar nervosa e inquieta. Proferi um rápido “Adeus” e saí.

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Desculpem não responder aos comentários, mas não consigo comentar. Não sei o que se passa.

domingo, 22 de maio de 2011

Wake me up when september ends - Parte 36

Tínhamos saído do aeroporto e já que Jason estivera fora durante uma semana decidimos ir jantar fora. Ele próprio deu a ideia, eu tinha planeado um jantar em minha casa porque pensei que estaria demasiado cansado da viagem. Escolhemos um bom restaurante porque Jason estava farto de comer comida de plástico. Tinha-a comido enquanto estivera em viagem. Aliás, Jason escolheu o restaurante onde tínhamos jantado pela primeira vez há uns meses. Ao contrário da primeira vez, eu agora não estava preocupada com a possibilidade de ele querer levar-me para a cama dele. Desta vez não havia qualquer tipo de constrangimentos entre nós. Éramos dois bons amigos a jantar juntos num bom restaurante. Bom demais para o que eu tinha vestido.
Enfim, tínhamos muita conversa para pôr em dia. Era mais eu quem falava do que ele. Ele só me olhava com um sorriso na cara. Só parei de falar com a empregada de mesa se aproximou de nós e disse:
Já escolheram?
Eu estava prestes a falar quando Jason me interrompeu e fez o pedido:
Eu quero a lagosta e ela vai comer as costeletas.
E olhou para mim. Parecia estar à espera da confirmação de que aquele era mesmo o meu pedido.
E: Como é que tu...
Ele acabou a minha frase:
Sabia? Tu comeste costeletas a primeira vez que cá viemos. Tu disseste que era a única coisa na ementa que não tinha um nome esquisito e que tu sabias que ias gostar.
 Fiquei surpreendida e contente ao mesmo tempo por se lembrar de uma coisa daquelas que qualquer outra pessoa se teria esquecido. A empregada continuava lá com um sorriso na cara. Não era aquele sorriso que é obrigada a ter quando atende os clientes. Ela parecia fascinada por nós. Senti-me um bocado observada e por isso olhei para ela. Esta soltou um pequeno riso e apressou-se a desculpar-se:
Desculpem-me por ter ficado a olhar. É só que vocês os dois fizeram me lembraram o meu marido e eu quando éramos muito mais novos. São casados! Parabéns aos dois! Espero que tenham uma longa vida juntos.  
Jason agradeceu e assim que ela se afastou, ele riu-se da situação. Olhei imediatamente para a mão dele. Ele continuava a usar a aliança, algo que eu nunca tinha reparado por ser tão distraída com pormenores como aquele. Olhei para a minha mão. Também usava a minha aliança. Era algo que eu fazia de manhã naturalmente, sem pensar. Acordava e punha a aliança no meu dedo, onde estivera durante 6 anos. Fiquei sem saber o que fazer. Quase que entrei em pânico por terem pensado que éramos um casal. Fez-me pensar em Ashton, ele tinha deixado de habitar na minha mente da maneira que costumava habitar. Senti-me culpada por isso. Senti que o estava a trair. Levantei-me sem saber mais o que fazer e dirigi-me à saída. Ouvi os passos largos e rápidos de Jason atrás de mim. Estavam a tentar alcançar-me, mas o meu pânico e culpa levavam-me mais longe.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Wake me up when september ends - Parte 35

A experiência do pára-quedismo de há uns meses atrás tinha nos aproximado, sem dúvida. Fazíamos quase tudo juntos. Vivíamos praticamente na casa um do outro. Não hesitávamos em contar algo um ao outro.
Era Sábado e Jason ia chegar de uma viagem de negócios. Ele tinha me pedido para não o ir buscar ao aeroporto, que não era preciso, mas como é óbvio, fui na mesma. Cheguei lá e foi como voltar ao dia em Ashton tinha partido. De repente vi-me aos gritos com ele ali no meio. Uma dor esmagadora apoderou-se de mim até que cheguei à parte em que vi Ashton a partir outra vez. Depois disso desviei imediatamente o olhar do sítio onde tudo tinha acontecido. Peguei na minha garrafa de água que trazia na mala e bebi um pouco para tentar afogar o nó que tinha no peito. Uma voz feminina fez-se ouvir em todo o aeroporto a anunciar que o avião de Jason chegaria dentro de alguns minutos. Parei imediatamente de pensar no dia em que Ashton tinha partido pela última vez e tudo isso. Senti-me aliviada. Aliviada por Jason voltar para casa. A última semana tinha sido longa e um bocado dolorosa porque me sentira sozinha outra vez.
Meia hora depois mais ou menos o meu telemóvel tocou. Atendi-o rapidamente assim que vi que era Jason.
E: Jason!
J: Diz-me que não estás no aeroporto à minha espera.
Eu não tinha muito jeito para mentir…
E: Claro que não estou!
J: Eu estou a ver-te.
Ooops, sabia que não conseguia mentir durante muito tempo. Olhei em todas as direcções até encontrar Jason a sorrir para mim. Corri para ele e abracei-o.
E: Estou contente por estares de volta.  
J: Eu também.
Depois afastámo-nos e eu peguei na mala pequena dele para o ajudar com alguma coisa e começamos a andar em direcção à saída do aeroporto. Eu ajudei-o a pôr as malas no carro e em seguida eu entrei no lugar do condutor e ele ao meu lado e saímos dali enquanto nos ríamos juntos sobre algo. Aquele sítio já não me trazia só más recordações…

terça-feira, 17 de maio de 2011

Wake me up when september ends - Parte 34

Hoje sei porque é que concordei em fazer aquilo, mas naquele dia, assim que chegámos ao nosso destino estava totalmente arrependida por ter dito que sim. Acho que só consenti porque ambos estávamos afectados por algo forte e Jason tinha usado bons argumentos para me convencer. Ele dissera “Vamos fazer pára-quedismo. Eu sei que não soa bem, mas vamos fazê-lo. Cair de um avião é a melhor sensação de liberdade que alguma vez irás sentir. É como se o mundo parasse e só tu existisses. Tudo o que te amedronta desaparece. E quando chegas ao chão… Sentes-te capaz de fazer qualquer coisa.” Com isto pensei que ele próprio já tinha experienciado uma sensação daquelas, mas não. Claro que só mo disse assim que aterrámos. 
Depois de ouvirmos as instruções dos instrutores Jason apenas me disse para não ter medo e eu confiei, uma vez que naquela altura ainda pensava que ele já tinha feito aquilo. Entrámos no avião e subimos até estarmos a muitos metros do chão. Tinha chegado o momento da verdade e por mais estranho que pareça não me acobardei e saltei – com um instrutor, é óbvio. Como Jason nunca tinha feito aquilo tudo o que ele me dissera estava errado. Senti uma estranha sensação de leveza e sim, talvez alguma liberdade, mas os meus problemas continuavam lá. Não parei de pensar em Ashton o tempo todo que estive no ar. O mundo não tinha parado de girar ou desaparecido como Jason tinha dito que seria. Mas numa coisa ele estava certo mesmo sem saber. Assim que pousei os meus pés no chão, as lágrimas vieram-me aos olhos e fui a correr para Jason assim que o instrutor me separou dele. Corri para Jason e abracei-o.
E: Obrigada, Jason! Obrigada por me convenceres a fazer isto!
Não parei de o abraçar, não tinha vontade de o fazer.
J: Eu sei, foi fantástico!
Ele fez uma breve pausa.
J: Tenho algo a dizer-te. Nunca tinha feito isto.  
Não me chateei com ele, como teria feito se não tivesse gostado tanto.
E: Eu calculei assim estava no ar. Eu ainda tinha os meus problemas. Mas uma numa coisa estavas certo. Quando cheguei ao chão, senti que podia fazer qualquer coisa. Obrigada.

domingo, 15 de maio de 2011

Wake me up when september ends - Parte 33

Na manhã daquele dia não tinha dado tempo suficiente para falar do assunto, por isso à noite, depois de ele me ir buscar ao trabalho entrámos no meu apartamento e falámos sobre o assunto.
E: O que é que ela está a fazer aqui?
J: Ela veio pedir perdão ontem à noite.
Ele olhou para baixo porque tinha vergonha de contar a próxima parte.
J: Nós dormimos juntos. Foi um momento de fraqueza, eu juro! 
Passei a minha mão pelo ombro dele para o acalmar.
E: Não faz mal. Sou só eu, não precisas de estar nervoso ou envergonhado. Não te julgo.
J: Não irá acontecer outra vez.
Nunca o vira tão perturbado. Via-se que ainda gostava de Nicole por mais que ela o tenha feito sofrer. Ele apenas levava as mãos à cabeça amaldiçoando-se a si próprio em silêncio. Eu estava paralisada. Não sabia o que fazer, normalmente eu era quem precisava da ajuda dele. Hesitei ao princípio. Cheguei-me mais perto dele no sofá devagar e receosa como uma adolescente apaixonada no seu primeiro encontro com o tal rapaz. O meu braço primeiro envolveu os seus ombros e o outro braço ajudou a puxar o seu corpo na direcção do meu. Ele rapidamente cedeu e abraçou-me também. E depois chorou. Nenhum de nós falou. Eu estava constrangida por ele estar a chorar à minha frente. Não que eu achasse que ele não deveria chorar ou o achasse menos homem por isso. Fazia parte de mim, não chorava em frente de pessoas com quem tinha pouca confiança e ficava desconfortável por chorarem à minha frente. Ficámos abraçados durante algum tempo e ele parou chorar. Falei-lhe muito cuidadosamente:
Podes passar a noite aqui.
Ele nada disse. Esticou-se no sofá quando me levantei para ir buscar uma manta. Quando voltei à sala Jason já se encontrava a dormir. Estendi a manta por cima dele, apaguei as luzes e fui também dormir.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Wake me up when september ends - Parte 32

Ainda naquela manhã, no caminho para o trabalho, ambos estávamos muito calados. Eu estava a morrer de curiosidade para saber tudo sobre a mulher mistério, mas ele não estava disposto a falar. Ele continuava sem saber que eu os tinha visto. Comecei a cantar baixinho a música que tocava na rádio, só para ver se ele dizia alguma coisa, qualquer coisa, aquele silêncio estava a matar-me! Eu não conhecia a música sequer por isso a coisa saiu-me pessimamente mal. Ele olhou-me com estranheza.
J: Estás te a sentir bem?
Respondi um bocado nervosa:
Eu? Claro! Adoro esta música!
Ele não ficou nada convencido.
J: Sim, acredito que sim...
E voltou a pôr os olhos na rua. Havia um acidente no nosso percurso por isso ficámos muito tempo parados juntamente com dezenas de carros apressados e condutores furiosos por estarem atrasados. Ele continuava sem dizer uma palavra e estava bastante pensativo durante o tempo em que ficámos presos no trânsito. Primeiro tentei fazer com que me contasse alguma coisa.
E: Então, está tudo bem?
J: Claro, por que não haveria de estar?
E: Nada...
Nada. Não consegui nada por isso fui directa ao assunto.
E: Quem era aquela mulher hoje de manhã no teu apartamento?
Ele ficou surpreendido por eu saber que tinha estado com uma mulher.
J: Como sabes que esteve lá uma mulher?
E: Eu vi-a a sair do teu apartamento esta manhã. Foi uma coincidência. Eu ia a sair de casa e- -
Interrompeu-me:
Está bem.
Mesmo assim ele não contara nada sobre ela por isso perguntei:
Quem é ela?
J: Aquela era a Nicole.

sábado, 30 de abril de 2011

Wake me up when september ends - Parte 31

Mais um mês passou e eu não tinha lido a carta. Tinha falado dela a Jason, mas não a li. Ele guardou-a junto das outras cartas que eu tinha quase destruído só em caso de eu ter outro acesso de raiva e tristeza e decida pegar-lhes fogo daquela vez. Eu estava a tentar superar tudo aquilo. Continuava a sentir a sua falta, a maior parte do tempo e chorava durante a noite de vez em quando, mas já ia trabalhar. E trabalhava de facto ao contrário do primeiro mês que se seguiu depois da morte de Ashton em que me sentava à secretária sem trbalhar. Apenas fixava o vazio enquanto sentia a falta dele. Ia de vez em quando ao cemitério ver Ashton e falava com ele, mas já não chorava quando o fazia. Acho que dois meses depois consegui voltar à minha vida. Sim, estava diferente, muito diferente, nunca mais seria a mesma, mas sentia que havia de lá chegar.

Era de manhã. Ia me encontrar com Jason no corredor porque ele me ia dar boleia para o trabalho. Entrávamos e saíamos mais ou menos à mesma hora e assim só usávamos um carro. Menos despesa, pois dividíamos o custo da gasolina e era menos um carro a contribuir para a destruição da camada de ozono. Era um dois em um. Estava-me a preparar para me encontrar com Jason e estava surpreendentemente adiantada naquela manhã. Abri a porta e deparei-me com uma figura feminina a sair do apartamento de Jason. Voltei a fechar a porta, mas não totalmente, pois estava curiosa para saber quem era. Jason acompanhou-a à porta. Este tinha apenas uns boxers vestidos. Ambos estavam bastante tensos e silenciosos até aquela mulher misteriosa falar:
Jason, eu - -
Ele interrompeu-a:
Esta não é a melhor altura para falarmos sobre isso. Eu depois entro em contacto contigo.
Ela disse-lhe adeus e foi se embora envergonhada. Esta mulher era bastante alta e esguia. O cabelo escuro perfeitamente esticado mal lhe tocava os ombros e a sua pele branca fazia um grande contraste com a de Jason. Ele observou-a até ela entrar no elevador e depois voltou para dentro.


quarta-feira, 27 de abril de 2011

Wake me up when september ends - Parte 30

Tinha passado um mês desde a morte de Ashton, quando um dos amigos mais chegados que também pertencia ao exército tentou entrar em contacto comigo. Combinámos encontrarmo-nos num sábado à tarde no parque. Cheguei mais cedo e sentei-me num daqueles bancos onde os casais adolescentes gravam os seus nomes dentro de um coração. Também eu e Ashton tínhamos feito o mesmo, exactamente naquele banco há anos atrás quando andávamos na faculdade. Olhei para cima quando Mark veio ter comigo e chamou pelo meu nome.
E: Mark! É tão bom ver-te!
Abracei-o e sentámo-nos os dois no banco. Mark estava claramente afectado pela morte de Ashton. A sua expressão facial mudou completamente assim que começou a falar disso.
M (Mark): Como tens lidado com isto tudo? 
Não queria mesmo chorar à frente dele. Ele era um grande amigo de Ashton, mas nós os dois não éramos assim tão chegados pelo que não me sentia muito confortável em chorar à frente dele.
E: Não é fácil, sabes?  Mas estou a tentar ultrapassar isto. Um dia de cada vez. Então e tu?
M: O mesmo... Toda a gente tem saudades dele, mas estas coisas acontecem todos os dias na guerra. Nunca é fácil.
Eu olhei para baixo e vi que estava a apertar os dedos de uma mão com a outra para não chorar. Seguiu-se um momento de silêncio repentinamente quebrado por Mark.
M: Não me lembro de te ver no funeral.
Olhei imediatamente para cima e senti-me um bocado nervosa em relação àquela pergunta.
E: Eu não fui. Seria demasiado difícil.
M: Enfim, quero dar-te algo que o Ashton queria que eu te desse.
Eu fiquei surpreendida e atenta a todos os movimentos de Mark para tentar saber o que é que Ashton me queria dar. Ele tirou do seu bolso esquerdo das calças um envelope.
M: É uma carta. Ele pediu-me para ta dar se lhe acontecesse alguma coisa. Agora é o momento certo...
Segurei na carta sem a abrir. Não tive coragem. Guardei-a na minha carteira, despedi-me de Mark e fui-me embora. Só muito tempo depois é que li a carta.