sábado, 23 de abril de 2011

Wake me up when september ends - Parte 28

Li a primeira carta que ele me tinha escrito. Não pude conter as lágrimas, naturalmente. Em seguida li a primeira que eu lhe enviara e assim sucessivamente. Eram muitas cartas. Afinal de contas, passámos cerca de 3 anos e alguns meses a escrever cartas. A primeira missão tinha sido apenas de um ano, a segunda de dois anos e não conseguiu chegar ao fim da terceira.
Continuei a lê-las sem parar. Nem dei conta do tempo passar. A casa de banho estava inundada com lágrimas e eu cheguei a uma altura em que percebi que já estava atrasada para o funeral, mas também não queria ir de qualquer maneira. Enchi a banheira e entrei nela antes de esta estar completamente cheia. Peguei na próxima carta. Era uma que ele me tinha escrito no nosso aniversário de casamento há um ano atrás. Era provavelmente a carta mais bonita que ele me tinha escrito. Depois de a ler larguei-a na água. Peguei noutra e depois de a ler fiz o mesmo. A água começava a transbordar da banheira e eu não parei. As cartas flutuavam na banheira e nem o trinco da minha porta a abrir-se me distraiu das cartas. Só quando Jason entrou de rompante na casa de banho é que desviei o meu olhar da carta que segurava. Jason correu apressadamente para fechar a torneira e mergulhou os braços na banheira para apanhar as cartas molhando as mangas da sua camisa. Ele apanhou-as todas, até as que se encontravam pousadas no chão para me impedir de fazer com elas o que tinha feito às outras. Correu para fora da casa de banho. Muito serena, saí da banheira, vesti o meu robe e encostei-me na beira da porta da casa de banho. No meu quarto, Jason estava agitado a pousar todas as cartas molhadas em cima da cama a tentar salvá-las. Ele estava zangado e nervoso. Movia-se com rapidez. Eu fiquei a observá-lo durante alguns segundos.
E: Porquê Jason?
Jason acabou de pôr as cartas a secar e só depois me respondeu num tom de voz alto e zangado:
Porque estas cartas são aquilo a que te vais querer agarrar. Sempre que sentires a falta de Ashton, isto é o mais perto dele que vais ter.
E: Por que haveria de querer lembrar-me dele? Para me lembrar que nunca mais o vou ver ou tocar? Eu não quero isso.
Ele aproximou-se de mim ainda zangado.
J: Eu sei que agora parece que o teu mundo vai desaber, mas não vai. Um dia vais seguir em frente e vai ser bom lembrares-te dele. Vais sentir como se ainda estivesse contigo. Mas se não te parar agora, vais arrepender-te.
A única coisa de que me lembro a seguir é de ter caído nos braços dele enquanto chorava e pedia Ashton de volta desesperadamente.

4 comentários: